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domingo, 25 de agosto de 2013

Apontamentos: Infoproletários II

Conteúdo: Infoproletários
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro

Infoproletários: degradação real do trabalho virtual Ricardo Antunes e Ruy Braga (Orgs.)
Capítulo 10: Trajetórias profissionais e saberes escolares: o caso do telemarketing no Brasil - Isabel Georges

           
            Neste capítulo, Isabel Georges ensaia questionamentos e dados sobre a relação de saberes escolares e trajetórias profissionais, onde em alguns casos é ascendente, descendente ou estável.
            Achei muito interessante as indagações levantadas no texto sobre as motivações e razões de aprender das pessoas, a análise que se faz do desempenho escolar a partir do rendimento no mercado de trabalho e a inserção social dos mesmos. A maneira como a escolaridade discrimina os indivíduos, em termos sociais e profissionais, é algo que me chama atenção.
            A sociedade global do conhecimento é referencia para contextualização do texto. E com isso o termo saber é recorrente, e diante dos diferentes significados deste, algumas perguntas surgem: Quais são os tipos de saberes? Inicialmente comenta que ‘saber’ refere-se às vantagens competitivas, ‘saberes’ em termos referenciais para fazer distinções técnicas. Quais as relações entre ‘saberes escolares’ e ‘saberes profissionais’? O que é Know-how?
            A autora aprofunda a discussão na rotina de um call Center, uma das modalidades de organização do trabalho no setor de telemarketing. A mobilidade presente na obra também nos remete à termos discutidos em sala, como a ‘nova dinâmica de acumulação de capital’, marcada pela ‘flexibilidade’ e ‘captura da subjetividade do trabalhador’.
            Diante da constatação do aumento dos níveis de escolarização no Brasil, quais seriam as novas necessidades e demandas para esses saberes escolares, para formação de cidadão plenos, para qualificações de mão de obra, para a elevação do nível socioeconômico e diminuição das desigualdades?
A partir de dados a autora também comprova a distinção de classe social, gênero, nível acadêmico e contexto familiar, e traça diferentes perfis e tendências profissionais.
O valor da escola também é levantado (p.221) na constituição de um capital de saberes. Ao mesmo tempo que favorece o acesso ao emprego, algumas ocupações desvalorizam os saberes adquiridos.
Desta forma, reforço a importância do saber escolar, não só em rendimentos para o mercado de trabalho, mas como inserção e mobilidade social, em termo qualitativos para um país periférico como o Brasil. Afinal, “ainda é verdade que a promoção do ensino é um dos principais meios políticos preconizados para reduzir desigualdades” (p.215).




Referência:

ANTUNES, R. e BRAGA, R. Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo: Boitempo, 2009.

Um comentário:

jose carlos santos farias disse...

Excelente texto que nos faz refletir sobre essa relação saber escolar e saber profissional. Sem dúvida temos que contextualizar o conhecimento científico com nossa realidade.tanto o conhecimento acadêmico quanto o empírico são importante para construção de uma sociedade mais esclarecida.Se poder visita meu blog: O Saber Geográfico.