TRANSITE POR CASCAES!

. quarta-feira, 4 de novembro de 2009

EXPOSIÇÃO: CASCAES EM TRÂNSITO!



Nunca é demais cultura, principalmente quando esta se refere a cultura popular e história de um povo, desconhecida e ignorada ao londo de seu processo de desenvolvimento. Por isso destaco aqui a exposição da obra de Franklin Cascaes, no TICEN em Fpolis (até 14/11/09), que registra contos e causos dos nossos ilhéus.
Geoprofessora


Quando: 16 de outubro a 14 de novembro de 2009
Onde: Terminal de Integração do Centro - TICEN
Quanto: Gratuito





Sobre Franklin Joaquim Cascaes
Nascido em 16 de outubro de 1908, em Itaguaçú, bairro hoje pertencente ao município de Florianópolis, Santa Catarina. Na casa em que vivia toda a produção era realizada na propriedade, com o trabalho no engenho de açúcar, de farinha de mandioca além da charqueada. Dentre doze irmãos, foi o filho mais velho, educado para exercer toda e qualquer atividade necessária ao desempenho da subsistência, entre elas, a confecção de balaios, cordas de cipó, cercas de bambu e tarrafas.
Franklin Joaquim Cascaes manifestou desde cedo interesse pelas histórias e eventos que diziam respeito ao processo de ocupação e colonização do litoral catarinense, mais especificamente da Ilha de Santa Catarina e ao modo de vida local.
Transformou, através de suas habilidosas mãos de artista, esse universo cultural num conjunto de desenhos, manuscritos e esculturas, criando ao longo de sua vida um acervo documental sobre a cultura popular do litoral catarinense. Foi descoberto pelo professor Cid Rocha Amaral, diretor da Escola de Aprendizes e Artífices de SC, ainda na adolescência, esculpindo na praia de Itaguaçú. Assim teve inicio sua formação profissional. Em 1941 foi admitido como professor da Escola Industrial de Florianópolis.
Salientamos que atualmente qualquer reflexão acerca das comunidades litorâneas catarinenses, é necessariamente atravessada pela obra de Franklin Joaquim Cascaes. Sua “obra não só nos informa do passado da cultura ilhoa, mas também tem o presente, importância política fundamental, pois são as reflexões e as mudanças contemporâneas que necessitam ser observadas, entendidas e atualizadas como linguagem política necessária para, futuramente, termos consciência do que queremos como cidadãos de Florianópolis do terceiro milênio”.
A obra de Cascaes hoje se encontra no Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral/UFSC. Sua coleção leva o nome de “Professora Elizabeth Pavan Cascaes”, em homenagem a sua esposa. É composta de esculturas em argila crua e gesso, sendo os adereços confeccionados em tecido, madeira, papel, metais, desenhos a bico de pena e grafite, e manuscritos.
A representação destas imagens pelo artista se deu através de formas e temáticas diferenciadas, que no seu conjunto narram uma trajetória. Neste caso, a do homem do litoral catarinense e das comunidades pesqueiras da ilha de Santa Catarina, num espaço de tempo de quarenta anos, da década de 1940 a década de 1980 do século passado. É a arte como registro de um acontecimento que se preservada, fica gravada na história.
A coleção escultórica é dividida em 42 conjuntos temáticos. São esculturas de pequeno porte representando figuras antropomorfas, zoomorfas, ferramentas, instrumentos, utensílios, etc. Estas peças foram elaboradas com matéria-prima de origem orgânica (madeira e outras fibras têxteis celulósicas e protéicas) e inorgânica (metais, pedras sedimentárias - argila e gesso). Aos conjuntos estão associadas cenografias, como aquelas que reproduzem em maquetes, engenhos de fabricação da farinha de mandioca, rancho de pescadores, casa típica açoriana, entre outras, para as quais foram empregadas matérias-prima de distintas origens.
Os manuscritos produzidos por Franklin Joaquim Cascaes compõem-se de 124 cadernos escolares pequenos, 22 cadernos grandes e 476 manuscritos em folhas avulsas e/ou agrupadas numa quantidade máxima de 15 páginas, escritos à caneta esferográfica, caneta tinteiro e grafite. Também fazem parte desta coleção 114 documentos, entre os quais estão diários de classe, cadernos de recortes de jornais, provas de alunos, cadernos de aula, cadernos de visitas a exposições, cadernos de apontamentos de Elisabeth Pavan Cascaes.
A produção de desenhos é extremamente vasta, composta por 1439 desenhos tombados em 941 suportes em papel, e em seus desenhos o artista abordou temas dos mais variados. Os desenhos despertam uma variedade de discussões e elementos. São trabalhos sobre a pesca, cultivos da mandioca, festas profanas e religiosas, arquitetura, bruxaria, boitatás, lobisomens, cotidiano, vendedores, mitologia marinha, processos políticos, especulação imobiliária. E com destaque, ele nos mostrou artisticamente que as antigas relações culturais herdadas estavam desaparecendo através das intensas transformações urbanas.
Franklin Joaquim Cascaes tentou expressar da melhor forma possível o que viu e o que sentiu enquanto trabalhava. Percebeu as transformações ameaçando o cotidiano e o conhecimento popular dos habitantes da ilha, que corriam o risco de não serem lembradas pelas futuras gerações.
Os primeiros registros sobre atividade artística de Franklin Cascaes são de 1946, “Comecei a fazer este trabalho em 1946, quando tinha 38 anos. Comecei com dificuldade, porque era professor”. Até meados dos anos 1980, Franklin Cascaes desenvolveu inúmeros trabalhos de coleta de dados, utilizando diferentes técnicas e diversificando a temática. De formas distintas, Cascaes procurou registrar a cultura que se transformava.
Apesar de a maioria das pessoas associarem o nome de Franklin Cascaes a uma produção apenas bruxólica, mágica e lúdica, grande parte do seu trabalho não está ligado a estes temas. É constante a produção acadêmica, teatral e audiovisual sobre o artista e sua obra e a diversidade nela encontrada. Pode-se mencionar a peça de teatro de Gelci José Coelho (Peninha) o “Ataque Bruxólico”, escrito na década de 1970, mas que não chegou a ser encenada. Em 1984 um grupo teatral, apoiado pela Fundação Catarinense de Cultura, estréia a peça “Cascaes”, dirigida por Olga Romero. E “Hobarcú” de Sandra Alves, que traz algumas histórias da tradição oral da Ilha de Santa Catarina, repletas de mágicas, encantamentos e bruxas, cantadas, tocadas e iluminadas por três artistas mulheres que homenageiam o imaginário do folclore catarinense. Há ainda a minissérie apresentada na TV Manchete “Ilha das Bruxas”, projeto da jornalista Bebel Orofino, inspirada na obra de Cascaes. Também de Bebel Orofino podemos citar o vídeo “Santo de Casa”, um documentário sobre a vida e obra de Franklin Cascaes, e os audiovisuais “Balanço Bruxólico” e “Franklin Cascaes uma cultura em transe”.
Quem conhece seu acervo, sejam eles os cadernos, as esculturas ou os desenhos sabe que a amplitude de seu legado oferecerá sempre algo novo para pesquisas e discussões. Franklin Cascaes acompanhou criticamente o processo de modernização que ocorria nas comunidades, e isto está apontado e registrado em sua obra. O tempo e o espaço e as circunstâncias são transformadas, modificando o cotidiano da população local. O que incomodava Cascaes são as ausências, as transformações, a mudança que ele percebe no seu universo antes pacato e intocado, para isso precisou buscar uma forma de memorizar o passado que estava se perdendo.
Franklin Joaquim Cascaes desenvolveu uma ampla capacidade para absorver, captar e interpretar o que lhe passava diante dos olhos e o que lhe chegava aos ouvidos. É admirável a insistência com que Cascaes lutou para conscientizar, conservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural ilhéu constituído pelas crenças e costumes. Criou até o ano de 1982 um grandioso acervo documental, base para uma infinidade de pesquisas a quem se interessar pelo universo da cultura popular ilhoa.
Enfim, é uma obra diversa, multi-facética, que pode e deve ser revelada aos brasileiros e nada melhor que ser conhecida através da divulgação através do selo postal. Sua obra nos faz rememorar, relembrar o passado, e como o próprio artista falava: “uma nação que não conhece a raiz da sua história, está muito aquém daquilo que ela devia ter como sua cultura”.



Fonte:



Aline Carmes Kruger Historiadora
Bebel Schaeffer. Florianópolis: Departamento de Comunicação e Expressão - Curso de Jornalismo, 1987. 1 videocassete (15 min): son., color. Umatic.
Maria Cristina Josizato. Florianópolis: Departamento de Comunicação e Expressão - Curso de Jornalismo, 1989. 1 videocassete (20 min): son., color. Umatic.
Vídeo documentário, produção Tatiana Baltar, Cleusa Teresinha Ramos e Joel Cordeiro. Lapis - Laboratório de Pesquisa em Imagem e Som, 1997, UFSC.

Fonte: http://cascaes.exatosegundo.com.br/exposicao.php


Imagens: http://www.flickr.com/photos/midiasdigitais/4025581279/in/dateposted/


Temas

Perfil

Minha foto
Roberta Sumar
Autora: Roberta Sumar (betynhas@gmail.com). O Blog Geoprofessora tem o objetivo de socializar Planos de Aulas sobre diversos temas geográficos! Divulgar dinâmicas e práticas no Ensino de Geografia!
Visualizar meu perfil completo

Pensamento

"É objetivo de preocupação da geografia de hoje conhecer cada dia mais o ambiente natural de sobrevivência do homem, bem como entender o comportamento das sociedades humanas, suas relações com a natureza e suas relações socioeconômicas e culturais"
(Jurandyr Ross, 2001 - Geografia do Brasil - p.16)

"Seja a diferença que você quer no mundo"
(Gandhi)

"O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando".
(João Guimarães Rosa)

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada".
(Clarice Lispector)


"sei que o sol nasce para todos, esta verdade não bego: mas uns se aquecem na praia, os outros batendo prego."
(Cláudio Feldman)


“Quando eu era jovem o meu sonho era tornar-me geógrafo. Entretanto, antes de ingressar no curso
superior, quando trabalhei num escritório, numa atividade que envolvia consumidores de diversas
partes, comecei a pensar mais profundamente sobre essa questão e concluí que essa disciplina deve ser
extremamente complexa e difícil. Após alguma relutância, acabei optando pelo estudo da Física.”
(Albert Einstein)


“Toda ação requer instrumento. E o instrumento máximo da vida é a instrução... E só vive, no sentido humano da palavra, o que pensa. Os outros se movem, tão somente”.
(Antonieta de Barros, 1933)

Imagem

Imagem

Eventos 2009:

2° GeoPantanal
Simpósio de Geotecnologias no Pantanal
Data: 07/11/09 a 11/11/09
Local: Corumbá - MS
Informações: http://www.geopantanal2009.cnptia.embrapa.br/

...
XXX SEMAGEO - I SIMGEOSUL
América Latina: Crises e Integração!
Data: 25 a 29 de maio de 2009
Inscrições: R$15 estudantes, R$30 profissionais
Local: CFH/UFSCInformações:
www.cfh.ufsc.br/geografia/semageo

OFICINA CONPET NA ESCOLA
Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural
Data: Campus Florianópolis: 20 de maio; Campus São José: 21 maio; Campus Jaraguá do Sul: 28 de maio.
Inscrições: Gratuitas, até 18 de maio no Campus Florianópolis e Campus São José; até 26 de maio no Campus Jaraguá do Sul.
Informações:
http://www.ifsc.edu.br/

XII EGALENCUENTRO DE GEÓGRAFOS DE AMÉRICA LATINA
“Caminando en una América Latina en transformación”
Data: 3 al 7 de abril de 2009Sede: Universidad de la República, Montevideo, Uruguay
Informações:
www.egal2009.com

1ª Semana de Preservação do Meio Ambiente
TV Escola
Data: inscrições até 08 de maio
Material: Vídeo de até 2 minutos
Informações:
http://portal.mec.gov.br/tvescola/

II Desafio National Geographic
Viagem do Conhecimento 2009
"Inspirar as pessoas a cuidar do planeta"
Inscrições: até 31 de julho de 2009
Prova: 10 de agosto de 2009
Site: http://www.viagemdoconhecimento.com.br/

XIII SBGFA
Simpósio Brasileiro de Geografia Aplicada
A Geografia Física aplicada e as dinâmicas de apropriação da natureza
Data: 06 a 10/07/09
Local: Universudade Federal de Viçosa
Informações:
http://www.geo.ufv.br/simposio/10º ENPEG

Encontro Nacional de Prática de Ensino em Geografia
Data: 30/08/09 a 02/09/09
Local: UFRGS - Porto Alegre/RS
Informações:
http://www.ufrgs.br/faced/enpeg/

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Ciência no Brasil
Data: 19 a 25 de outubro de 2009
Informações:
http://semanact.mct.gov.br/index.php/content/view/2320.html

8ª SEPEX
Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão
Data: 21 a 24 de outubro de 2009
Visitação pública e gratuita: Quarta a Sexta-feira - 9 as 19h, Sábado - 9 as 16h.
Local: UFSC
Informações:
http://www.sepex.ufsc.br/