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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Apontamentos: Pós-Estruturalismo e Pós-Modernidade

Conteúdo: Pós-Estruturalismo e Pós-Modernidade


Pós-Estruturalismo e Pós-Modernidade: Algumas Considerações e Impressões

           
Acho que um dos maiores desafios de uma reflexão epistemológica, assim como o propósito da disciplina, é entender a realidade, as percepções atuais sobre o sujeito e de mundo que vivemos. Neste contexto novas teorias são colocadas, oras como oposição, oras como superação das antigas teorias.
            Outro ponto importante que aprendi sobre as escolhas epistemológicas é que elas estão relacionadas com uma forma de escrita, com uma linguagem, assim como registra Guaciara Lopes Louro: “o modo como se escreve está diretamente articulado às escolha teóricas e políticas que se empreende” (LOURO, p.235, 2007).
            Desta forma, a escrita linear presente em obras como a de Marx é superada com uma abordagem em rizoma.
Com a apresentação dos colegas Ana Paula, Gustavo, Luiza e Roberta França, a fala da professora Ana Maria Preve, das leituras propostas e algumas reflexões ainda em andamento, registro aqui o entendimento sobre alguns conceitos como:
            - Moderno x Pós-Moderno: no sentido de escola disciplinar.
      - Modernidade x Pós-Modernidade: no contexto de periodicidade, o primeiro como empreendimento de produção e projeto filosófico, ou nas palavras de Silvio Gallo: “movimento histórico-filosófico” (GALLO, p.553, 2006). O segundo com promessas de democracia e igualdade. (substantivo).
            - Modernismo x Pós-Modernismo: o primeiro termo abrange uma abordagem binária, enquanto o segundo aparece como sua sequência, posterior, vindo de expressões artísticas. (adjetivo).
- Estruturalismo x Pós-Estruturalismo: um como crítica social à modernidade, o outro como discurso de não autoridade, rompe com o tempo e o espaço.
Ressalto a importância de estar aberto para conhecer diferentes paradigmas e visões de mundo, porém nenhuma abordagem desta natureza pode ser neutra ou naturalizar questões colocadas. A crítica deve estar presente, principalmente na nossa área da educação e do lugar que vivemos neste Terceiro Mundo.
 
Referência:
DELEUZE,  Gilles;  GUATTARI,  Félix.  Introdução:  Rizoma.  In:  Mil  Platôs:  capitalismo  e esquizofrenia, v. 4. Trad. Ana Lúcia de Oli­ veira. São Paulo: Editora 34, 1997.
GALLO, Silvio. Modernidade/pós­modernidade: tensões e repercussões na produção de conhecimento em educação. São Paulo: Unicamp, 2006
LOURO, Lopes Guacira. Conhecer, pesquisar, escrever…. Educação, Sociedade & Culturas, nº25, 2007, 235­245.

PETERS, Michael. Pós­estruturalismo e filosofia da diferença: uma introdução. Autêntica: Belo Horizonte, 2000. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva.

Apontamentos: Raymond Williams

Conteúdo: Marxismo, Socialista, Fascista

Você é Marxista, não é? - Raymond Williams
           
Raymond Williams (1921-1988) no texto ‘Você é Marxista, não é?’ faz algumas reflexões sobre determinações e nomenclaturas vinculadas a teoria então conhecida como marxista, perpassa pelas influências do marxismo em organizações partidárias e formas de governo no mundo pós-guerras e finaliza com suas aproximações com os estudos culturais.
Para o autor há uma ‘aplicação estereotipada do termo marxista’ (WILLIAMS, p.123) e levanta a preocupação da forma que somos rotulados de marxistas ou não. O próprio Williams transcorre nessas ‘rotulações’, ora considerado marxista, ora não.
Outro ponto que é discutido é o fato de ‘reduzir o nome de toda uma tradição e de toda uma ênfase no interior dessa tradição ao nome de uma só pessoa’, não desconsidera a importância de Marx, mas aponta as implicações e as repercussões a partir de sua obra que geraram influências partidárias e organizações de governo e de economia muito longe do que o próprio Marx pensou e registrou em seus trabalhos.
Há alguns termos que durante muito tempo foi utilizado em certas situações como sinônimos, como Marxista, Comunista e Socialismo Revolucionário. A não aceitação de ser chamado por um desses termos já pareceria como uma afirmação da corrente contrária, seja política, filosófica ou econômica.
A rigidez do uso dessas nomenclaturas na minha opinião, até hoje em dia, parece exigir um posicionamento integral de uma corrente de pensamento, o que muitas vezes nega totalmente outra corrente diversa, o que é ruim em termos de diálogo, aproximações e discussões entre os pensadores de um modo geral.
Um termo que não conhecia e é citado no texto é o Fabianismo, fiquei curiosa e pesquisei, refere-se a uma organização político-social reformista inglesa, fundada em 1884, faz referência o nome ao chefe militar romano Fábio Máximo (século III)[1]. Tinha como finalidade institucional, a elevação da classe operária para torná-la apta a assumir o controle dos meios de produção[2].
O autor finaliza o texto afirmando que “as pessoas mudam, é verdade, através da luta e da ação”, e neste sentido ele chega a outra posição, diferente do capitalismo. Ao entender a Hegemonia Cultural, Raymond Williams percebe uma ruptura (e ele mesmo rompe) com o marxismo, partidos social-democratas, fabianismo, comunismo, stalinismo e outras derivações linguísticas.
Não conheço muito as características dos Estudos Culturais, acredito que nas próximas leituras isso seja sanado, mas a princípio não me parece uma negação do marxismo, e sim outro ponto de vista sobre as relações econômicas e sociais, partindo da cultura.
Para finalizar, me chamou atenção e me fez levantar outras reflexões no campo da educação o trecho: “Acredito que o sistema de significados e de valores que uma sociedade capitalista gerou deve ser derrotado de forma geral e no detalhe através de um trabalho intelectual e educacional intenso e contínuo” (p.133).



Referências:

WILLIAMS, Raymond. Você é marxista, não é? Tradução por Maria Elisa Cevasco. In: Revista Praga. São Paulo, Bointempo Editorial, n º 2, jun/1997.

Apontamentos: Foucault

Conteúdo: Foucault

Foucault & Educação – José da Veiga Neto


O livro Foucault & Educação de Alfredo José da Veiga Neto se propõe de forma acessível e didática registrar as contribuições do pensamento de Foucault para a Educação. O autor deixa claro que seu ponto de vilta não é uma celebração filosófica à Foucault, mas como uma exploração de muitas possibilidades de pensar, da prática pedagógica, de manter a crítica e como um ativador de liberdade.

Na primeira parte o autor faz uma situação de Foucault e o que representa seguir o método ou teoria foucaultiana: uma verdadeira contradição do seu pensamento, “visto que segui-lo, significa necessariamente, tentar sempre usá-lo e ultrapassá-lo” (p.21). O que existe são teorizações foucaltianas.

Foucaul tinha preocupações em manter a liberdade da sua filosofia, apesar de raramente utilizar o termo liberdade em suas obras. 

A crítica de Foucault é uma crítica da crítica (p.24).

A atividade filosófica, filosofar, é um trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento (p.25).

Segundo critérios metodológicos e cronológicos, podemos distinguir três fases tradicionais de Foucault: Arqueologia, Genealogia e Ética. A cada fase é possível responder uma pergunta fundamental: ‘o que posso saber?’, ‘que posso fazer’ e ‘quem sou eu?’ (p.36). Segundo critérios ontológicos podemos ter a seguinte tripartição a partir de como nos tornamos o que somo, como sujeitos: ‘ser-saber’ (de conhecimento), ‘ser-poder’ (de ação), ‘ser-consigo’ (moral) (p.41). Nos capítulos que segue o autor aprofunda em cada divisão temática.



Referências:
VEIGA NETO, Alfredo José da. Foucault & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

Apontamentos: Sigmund Freud

Conteúdo: religião, felicidade, prazer, esquecimento e sofrimento

O Mal Estar da Civilização – Freud
           

Freud inicia suas indagações com a separação dos pensamentos e ações dos indivíduos em seus pensamentos e suas ações, ou seja, o mundo interno (ego) e o mundo externo.
Para Freud a religião é uma ilusão e algo imensurável, e um dos seus objetivos seria tratar dos propósitos da vida. Para os homens o propósito da vida é a Felicidade, e esta é dada por situações positivas de ausência de sofrimento e dindíviduos e desprazer e por momentos negativos de experiências de intenso sentimento de prazer. E nestas aproximações e afastamento, a felicidade se resume na busca pelo sentimento de prazer, e evitar que o sofrimento coloque o prazer em segundo plano.
O sentimento de ‘feliz’ não se inclui no plano de criação. A Felicidade, sentido restrito, relaciona com a satisfação repentina.
O autor também faz uma relação do sentimento de prazer que partir do interno e vai se externalizando em objetos, através de movimentos musculares dos órgãos corporais. Trata isto como o Principio da Realidade: tentativa de isolar o ego de fontes de desprazer, uma tarefa difícil de separa sentimentos por sua origem interna.
O prazer domina o funcionamento do aparelho psíquico.
Freud também elucida informações da psicanálise sobre esquecimento, que conforme a vida mental o que se forma jamais pode parecer, portanto não pode ser destruído. No mesmo sentido mostra que o mesmo espaço não pode ter dois conteúdos diferentes no organismo mental, e exemplifica com cidades antigas.
Outro termo que é trabalhado é o de sofrimento, algo que é próprio do corpo e de nossos relacionamentos com outros homens, e é uma ameaça do mundo externo que pode voltar-se contra nós.
            Um questionamento central nesta obra é: como é possível ser feliz nessa sociedade civilizada?


Referência:



FREUD, S (1930). O Mal-Estar na Civilização. In: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1998.

Apontamentos: Karl Marx

Conteúdo: Mercadoria, riqueza, capital, valor

O CAPITAL
Capítulo 1: A Mercadoria

Uma questão central e que permite iniciar alguns apontamentos sobre o Capítulo 1, Mercadoria, da
obra O Capital, é: O que é a riqueza na época capitalista? Resposta: Acumulação de mercadorias. Como
observamos na citação: “A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista
aparece como uma imensa coleção de mercadorias”.
Marx inicia suas observações e análise da realidade a partir da descrição da materialidade da
riqueza: a mercadoria. Em seguida desenvolve os tipos de Valor (Valor de Uso, Valor de Troca) e as
formas de Valor (Simples, Total, Geral e Dinheiro). Aborda também sobre o duplo caráter do trabalho. E
finaliza com o Fetichismo da Mercadoria.
A leitura desta parte da obra é bastante truncada e tive certa dificuldade. Para tanto, contribuíram
alguns trabalhos, como o Reinaldo A. Carcanholo e Gabriel Deville, para entendimento dos termos
utilizados pelo autor para explicar a realidade de sua época e sobre o desenvolvimento da sociedade
capitalista.
Mercadoria é Valor de uso e Valor.

Valor de Troca: (Forma Social e histórica da Riqueza na em determinado período
(mercantil-capitalista).
Valor é uma propriedade do trabalho, imposta a ela pelas particulares relações sociais e mercantis.
É expressão das relações sociais e mercantis, que aparece como qualidade da mercadoria. Valor:
representa o poder de compra que representa nesse momento uma certa magnitude da mercadoria A, que
permite que ela tenha valor de troca.
Valor de Uso: (Conteúdo Material da Riqueza).

Desenvolvimento das formas e da mercadorias na sociedade mercantil e capitalista:
Simples (fortuita, acidental): Pré-mercantil. Trocas de presentes, ritual. Entre fronteiras de comunidades.
Uma mercadoria A é trocada por B, fortuitamente, pode não se repetir. Há um valor potencial. Lógica:
busca da materialidade útil (valor de uso).
Transição: Fortuitamente uma mercadoria se relaciona com outra. Exemplo: caça e peixe.Tentativa
de reproduzir (repetir) essa relação de troca. Começa a produzir para si e já pensando na troca. Diversas
expressões de forma simples de valor (sempre ampliável) converte-se em Forma Total.
Total (extensiva) Forma Total, extensiva. Há troca crescente. Passa a existir uma dependência do produtor
em relação ao mercado. Vai aumentando na medida que me relaciono com novas mercadorias.
Geral: É produto da prática humana (tanto o problema, quanto a solução). Com o excedente de um único
produto (milho) compro tudo o que preciso. Funciona, mas no próximo tenho que aumentar a produção.
Antes de trocar qualquer coisa, ele é o equivalente geral. Em vez de fazer troca inventam o dinheiro.
Ouro: útil pela representação social da riqueza. Equivalente Geral: não está com sua materialidade. Sua
função não é o valor de uso. Sua materialidade é a representação social da riqueza do valor. Valor de uso
formal. Não tem nada de valor de uso.
Dinheiro: diferença entre Dinheiro e Equivalente Geral é o alcance. Quando começa a ganhar
universalidade e constância e se prolonga no tempo, estabilidade, se converte em dinheiro. Ouro:
representação social do valor e da riqueza. Antes olhava pela sua utilidade, adorno, agora nestas
condições olho e vejo dinheiro. Para ser dinheiro exige-se relações mercantis já com um grau elevado de
generalizações.

Trabalho Simples: Não qualificado. É aquele que a força de trabalho é a simples utilização da força
disponível do trabalhador, sem nenhuma qualificação especial.
Trabalho Complexo: Formação técnica do trabalhador. Trabalho concreto: que produz mais valor
que sua duração (trabalho complexo) (trabalho potencializado)
Riqueza: relação social de domínio dos seres humanos. Se torna cada vez mais social, e não material
(perde significado).

Referências:
MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe.
MARX, Karl. O capital. Edição Condensada. Tradução e condensação de gavriel Deville.Bauru:
Edipro, 3ªedição, 2008.
CARCANHOLO, Reinaldo A. O Capital (01 a 11) - Aulas ministrada pelo Prof. Reinaldo A.
Carcanholo. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Sk11gl6xwmg. Acesso em outubro de
2013.