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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Apontamentos: Foucault

Conteúdo: Foucault

Foucault & Educação – José da Veiga Neto


O livro Foucault & Educação de Alfredo José da Veiga Neto se propõe de forma acessível e didática registrar as contribuições do pensamento de Foucault para a Educação. O autor deixa claro que seu ponto de vilta não é uma celebração filosófica à Foucault, mas como uma exploração de muitas possibilidades de pensar, da prática pedagógica, de manter a crítica e como um ativador de liberdade.

Na primeira parte o autor faz uma situação de Foucault e o que representa seguir o método ou teoria foucaultiana: uma verdadeira contradição do seu pensamento, “visto que segui-lo, significa necessariamente, tentar sempre usá-lo e ultrapassá-lo” (p.21). O que existe são teorizações foucaltianas.

Foucaul tinha preocupações em manter a liberdade da sua filosofia, apesar de raramente utilizar o termo liberdade em suas obras. 

A crítica de Foucault é uma crítica da crítica (p.24).

A atividade filosófica, filosofar, é um trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento (p.25).

Segundo critérios metodológicos e cronológicos, podemos distinguir três fases tradicionais de Foucault: Arqueologia, Genealogia e Ética. A cada fase é possível responder uma pergunta fundamental: ‘o que posso saber?’, ‘que posso fazer’ e ‘quem sou eu?’ (p.36). Segundo critérios ontológicos podemos ter a seguinte tripartição a partir de como nos tornamos o que somo, como sujeitos: ‘ser-saber’ (de conhecimento), ‘ser-poder’ (de ação), ‘ser-consigo’ (moral) (p.41). Nos capítulos que segue o autor aprofunda em cada divisão temática.



Referências:
VEIGA NETO, Alfredo José da. Foucault & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

Apontamentos: Sigmund Freud

Conteúdo: religião, felicidade, prazer, esquecimento e sofrimento

O Mal Estar da Civilização – Freud
           

Freud inicia suas indagações com a separação dos pensamentos e ações dos indivíduos em seus pensamentos e suas ações, ou seja, o mundo interno (ego) e o mundo externo.
Para Freud a religião é uma ilusão e algo imensurável, e um dos seus objetivos seria tratar dos propósitos da vida. Para os homens o propósito da vida é a Felicidade, e esta é dada por situações positivas de ausência de sofrimento e dindíviduos e desprazer e por momentos negativos de experiências de intenso sentimento de prazer. E nestas aproximações e afastamento, a felicidade se resume na busca pelo sentimento de prazer, e evitar que o sofrimento coloque o prazer em segundo plano.
O sentimento de ‘feliz’ não se inclui no plano de criação. A Felicidade, sentido restrito, relaciona com a satisfação repentina.
O autor também faz uma relação do sentimento de prazer que partir do interno e vai se externalizando em objetos, através de movimentos musculares dos órgãos corporais. Trata isto como o Principio da Realidade: tentativa de isolar o ego de fontes de desprazer, uma tarefa difícil de separa sentimentos por sua origem interna.
O prazer domina o funcionamento do aparelho psíquico.
Freud também elucida informações da psicanálise sobre esquecimento, que conforme a vida mental o que se forma jamais pode parecer, portanto não pode ser destruído. No mesmo sentido mostra que o mesmo espaço não pode ter dois conteúdos diferentes no organismo mental, e exemplifica com cidades antigas.
Outro termo que é trabalhado é o de sofrimento, algo que é próprio do corpo e de nossos relacionamentos com outros homens, e é uma ameaça do mundo externo que pode voltar-se contra nós.
            Um questionamento central nesta obra é: como é possível ser feliz nessa sociedade civilizada?


Referência:



FREUD, S (1930). O Mal-Estar na Civilização. In: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1998.

Apontamentos: Karl Marx

Conteúdo: Mercadoria, riqueza, capital, valor

O CAPITAL
Capítulo 1: A Mercadoria

Uma questão central e que permite iniciar alguns apontamentos sobre o Capítulo 1, Mercadoria, da
obra O Capital, é: O que é a riqueza na época capitalista? Resposta: Acumulação de mercadorias. Como
observamos na citação: “A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista
aparece como uma imensa coleção de mercadorias”.
Marx inicia suas observações e análise da realidade a partir da descrição da materialidade da
riqueza: a mercadoria. Em seguida desenvolve os tipos de Valor (Valor de Uso, Valor de Troca) e as
formas de Valor (Simples, Total, Geral e Dinheiro). Aborda também sobre o duplo caráter do trabalho. E
finaliza com o Fetichismo da Mercadoria.
A leitura desta parte da obra é bastante truncada e tive certa dificuldade. Para tanto, contribuíram
alguns trabalhos, como o Reinaldo A. Carcanholo e Gabriel Deville, para entendimento dos termos
utilizados pelo autor para explicar a realidade de sua época e sobre o desenvolvimento da sociedade
capitalista.
Mercadoria é Valor de uso e Valor.

Valor de Troca: (Forma Social e histórica da Riqueza na em determinado período
(mercantil-capitalista).
Valor é uma propriedade do trabalho, imposta a ela pelas particulares relações sociais e mercantis.
É expressão das relações sociais e mercantis, que aparece como qualidade da mercadoria. Valor:
representa o poder de compra que representa nesse momento uma certa magnitude da mercadoria A, que
permite que ela tenha valor de troca.
Valor de Uso: (Conteúdo Material da Riqueza).

Desenvolvimento das formas e da mercadorias na sociedade mercantil e capitalista:
Simples (fortuita, acidental): Pré-mercantil. Trocas de presentes, ritual. Entre fronteiras de comunidades.
Uma mercadoria A é trocada por B, fortuitamente, pode não se repetir. Há um valor potencial. Lógica:
busca da materialidade útil (valor de uso).
Transição: Fortuitamente uma mercadoria se relaciona com outra. Exemplo: caça e peixe.Tentativa
de reproduzir (repetir) essa relação de troca. Começa a produzir para si e já pensando na troca. Diversas
expressões de forma simples de valor (sempre ampliável) converte-se em Forma Total.
Total (extensiva) Forma Total, extensiva. Há troca crescente. Passa a existir uma dependência do produtor
em relação ao mercado. Vai aumentando na medida que me relaciono com novas mercadorias.
Geral: É produto da prática humana (tanto o problema, quanto a solução). Com o excedente de um único
produto (milho) compro tudo o que preciso. Funciona, mas no próximo tenho que aumentar a produção.
Antes de trocar qualquer coisa, ele é o equivalente geral. Em vez de fazer troca inventam o dinheiro.
Ouro: útil pela representação social da riqueza. Equivalente Geral: não está com sua materialidade. Sua
função não é o valor de uso. Sua materialidade é a representação social da riqueza do valor. Valor de uso
formal. Não tem nada de valor de uso.
Dinheiro: diferença entre Dinheiro e Equivalente Geral é o alcance. Quando começa a ganhar
universalidade e constância e se prolonga no tempo, estabilidade, se converte em dinheiro. Ouro:
representação social do valor e da riqueza. Antes olhava pela sua utilidade, adorno, agora nestas
condições olho e vejo dinheiro. Para ser dinheiro exige-se relações mercantis já com um grau elevado de
generalizações.

Trabalho Simples: Não qualificado. É aquele que a força de trabalho é a simples utilização da força
disponível do trabalhador, sem nenhuma qualificação especial.
Trabalho Complexo: Formação técnica do trabalhador. Trabalho concreto: que produz mais valor
que sua duração (trabalho complexo) (trabalho potencializado)
Riqueza: relação social de domínio dos seres humanos. Se torna cada vez mais social, e não material
(perde significado).

Referências:
MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe.
MARX, Karl. O capital. Edição Condensada. Tradução e condensação de gavriel Deville.Bauru:
Edipro, 3ªedição, 2008.
CARCANHOLO, Reinaldo A. O Capital (01 a 11) - Aulas ministrada pelo Prof. Reinaldo A.
Carcanholo. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Sk11gl6xwmg. Acesso em outubro de
2013.

Apontamentos: Max Weber

Conteúdo: Estado, Capitalismo e Religião.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo – Max Weber

Max Weber na introdução da obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo” faz uma contextualização sobre a origem da peculiaridade do racionalismo ocidental, em especial a forma ocidental moderna. 

Para tanto cita importantes avanços e desenvolvimentos científicos em outras civilizações (Índia, China, Babilônia e Egito) e que de certa forma não possuíam uma rigidez sistemática ou algum método racional. Dessa forma, muitos instrumentos e técnicas criadas por essas civilizações foram utilizadas de maneira mais intensa e usual pela civilização do ocidente. Segue uma citação: “Ma um tratamento racional, sistemático e especializado da ciência por especialistas treinados, em um sentido que se aproximasse de seu papel de domínio de cultura só existia no Ocidente” (pg.8).

O autor também aborda a validade da ciência que muitas vezes só tem sentido ocidental quando presente de um desenvolvimento universal com valor e significativo próprio. Este sentido que também só verdade dentro e para a civilização européia.

Alguns conceitos são centrais nesta parte do texto, como: Ocidente, Racionalismo, Estado, Vida Moderna e Capitalismo.

O termo Estado, como entidade política, é um conceito ocidental e moderno, que necessariamente 
precisa de funcionário treinados. Essa junção de fatores aliado a fatores técnicos providos das ciências modernas (Ciências Naturais e sua base matemática) vão ser importante para o desenvolvimento do capitalismo com sua essência mais perversa. Pois há uma maneira ingênua de analisar o capitalismo, pelo lucro através de trocas. 

Essa abordagem do autor é importante para mais adiante compreender as distinções entre a religião 
católica e a protestante, e seus reflexos culturais e na formação socioeconômica de muitos países.

Referência:
WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Trad. M. Irene de Q. F. Szmrecsányi e
Tomás J. M. K. Szmrecsányi. 2ª Ed revis. São Paulo: Cengage Learning, 2009.

Apontamentos: Boaventura de Sousa Santos

Conteúdo: ciência, conhecimento científico

UM DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS – Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos (2010) faz um registro na obra “Um discurso sobre as Ciências” a
partir de sua Oração de Sapiência na abertura solene das aulas na Universidade de Coimbra em 1985/86.
Mesmo com a contemporaneidade do autor, as indagações lançadas no início da década de 1980
são atuais e ao mesmo passo remetem discussões da própria origem da(s) ciência(s).
Gostei de algumas citações do autor ainda no prefácio à edição brasileira: de sua posição
epistemológica antipositivista; todo conhecimento científico é socialmente construído; seu rigor tem
limites inultrapassáveis; e sua objetividade não implica neutralidade.
A Ciência rompe com o senso comum e encontra-se em transformação, talvez caminhando em
direção de um novo e mais esclarecido senso comum. Hoje de novo em mudança, estamos perplexos, não
somos os mesmos. Tendência a perder a confiança epistemológica.
Os cientistas modernos nascem no século XVI. Deste período também desenvolve-se o que
chamaram de Revolução científica com Copérnico, Galileu e Newton.
Reflexão sobre os limites do rigor cientifico.
Complexidade e ambiguidade: nos momentos de transição como o que vivemos volta-se as coisas
e perguntas simples.
O progresso da ciência e das artes servem para purificar ou corromper nossos costumes.
Há uma relação entre ciência e virtude?
Qual o valor do conhecimento: ordinário ou vulgar?
Estamos no fim de um ciclo hegemônico de uma certa ordem cientifica.O autor caracteriza sinais de uma perfil de uma nova ordem cientifica emergente: perda de sentido
em diferenciar ciências naturais e sociais; síntese catalizadora das ciências sociais e sua recusa ao
positivismo lógico, empírico ou mecanismo

Referência:
SOUSA SANTOS, Boaventura de. Um Discurso sobre as Ciências. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2010