Conteúdo: Mito da Democracia Racial.
"Entrevista realizada no dia 4 de janeiro de 2001. Foi a última concedida pelo professor Milton Santos, precocemente abatido por um câncer em 24 de junho do mesmo ano. O geógrafo se foi, mas seus pensamentos ficaram. Seu ideário político inspiraram o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo globalizado." Neste trecho, separado por mim, Milton Santos reflete sobre o processo de políticas raciais que até então se iniciava no Brasil. Uma reflexão bastante intuitiva, alertando sobre as conseqüências negativas do "crescimento separado" entre os grupos étnicos que compõem a nação brasileira. A sua oposição repousa na construção de um Brasil, que respeite a singularidade de suas raízes, e democrático na elaboração de políticas sociais que ampliem o acesso de todos os brasileiros, independente de sua "cor", da sua "raça". Milton Santos desejava que "os negros pudessem crescer para serem brasileiros como quaisquer outro brasileiro, e não, crescer e melhorar como negros em uma sociedade de grupos étnicos separados..."
Dados Técnicos: Milton Santos, pensador do Brasil, 2001, Diretor: Silvio Tendler
Fonte: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xp9_fPuYHXc
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Como fazer questionários eletrônicos?
Conteúdo: Questionário, Formulário eletrônico, grátis, por email.
Atividade: Aplicar perguntas para pesquisas.
Atividade: Aplicar perguntas para pesquisas.
Olá pessoal, como ando envolvida com pesquisa ultimamente, descobri um recurso do GoogleDocs bem interessante para aplicar questionários eletrônicos (por email), de forma prática para quem responde, e muito útil para analisar as respostas através de "resumo de respostas" que dá um apanhado geral através de gráficos e porcentagem.
Ainda estou explorando todas suas possibilidades!
Alguns recursos representei abaixo na imagem:
A sequência para iniciar um formulário é:
- ter uma conta no Gmail
- acessar o GoogleDocs (Acho que GoogleDrive também dá)
- clicar em "Criar"
- escolher "Formulários"
Esse tutorial é bem explicativo:
domingo, 25 de agosto de 2013
Apontamentos: Infoproletários II
Conteúdo: Infoproletários
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Infoproletários: degradação real do
trabalho virtual – Ricardo Antunes e Ruy Braga (Orgs.)
Capítulo 10: Trajetórias
profissionais e saberes escolares: o caso do telemarketing no Brasil - Isabel
Georges
Neste
capítulo, Isabel Georges ensaia questionamentos e dados sobre a relação de
saberes escolares e trajetórias profissionais, onde em alguns casos é
ascendente, descendente ou estável.
Achei
muito interessante as indagações levantadas no texto sobre as motivações e
razões de aprender das pessoas, a análise que se faz do desempenho escolar a
partir do rendimento no mercado de trabalho e a inserção social dos mesmos. A
maneira como a escolaridade discrimina os indivíduos, em termos sociais e
profissionais, é algo que me chama atenção.
A
sociedade global do conhecimento é referencia para contextualização do texto. E
com isso o termo saber é recorrente, e diante dos diferentes significados
deste, algumas perguntas surgem: Quais são os tipos de saberes? Inicialmente
comenta que ‘saber’ refere-se às vantagens competitivas, ‘saberes’ em termos
referenciais para fazer distinções técnicas. Quais as relações entre ‘saberes
escolares’ e ‘saberes profissionais’? O que é Know-how?
A
autora aprofunda a discussão na rotina de um call Center, uma das modalidades de organização do trabalho no
setor de telemarketing. A mobilidade presente na obra também nos remete à
termos discutidos em sala, como a ‘nova dinâmica de acumulação de capital’,
marcada pela ‘flexibilidade’ e ‘captura da subjetividade do trabalhador’.
Diante
da constatação do aumento dos níveis de escolarização no Brasil, quais seriam
as novas necessidades e demandas para esses saberes escolares, para formação de
cidadão plenos, para qualificações de mão de obra, para a elevação do nível
socioeconômico e diminuição das desigualdades?
A partir de dados a autora também comprova
a distinção de classe social, gênero, nível acadêmico e contexto familiar, e
traça diferentes perfis e tendências profissionais.
O valor da escola também é levantado
(p.221) na constituição de um capital de saberes. Ao mesmo tempo que favorece o
acesso ao emprego, algumas ocupações desvalorizam os saberes adquiridos.
Desta forma, reforço a importância do
saber escolar, não só em rendimentos para o mercado de trabalho, mas como
inserção e mobilidade social, em termo qualitativos para um país periférico
como o Brasil. Afinal, “ainda é verdade
que a promoção do ensino é um dos principais meios políticos preconizados para
reduzir desigualdades” (p.215).
Referência:
ANTUNES, R. e BRAGA, R. Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo:
Boitempo, 2009.
Apontamentos: Infoproletários
Conteúdo: Infoproletários
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Infoproletários: degradação real do trabalho
virtual – Ricardo Antunes e Ruy Braga (Orgs.)
Capítulo 1: O trabalho do
conhecimento na sociedade da informação: a análise dos programadores de
software - Juan José Castillo
Capítulo 2: A construção de um
cibertariado? Trabalho virtual num mundo real - Ursula Huws
Nesta obra organizada por Ricardo Antunes e Ruy
Braga (2009) percebe-se pela leitura inicial, apresentação do livro e nos dois
primeiros capítulos, uma reflexão sobre as condições de trabalho na ‘Sociedade
da Informação’, na ‘Nova Economia’ após 1990, onde o advento das novas
tecnologias descaracteriza e segmenta o
trabalho vivo. Tanto que a Divisão Internacional do Trabalho e a Divisão Social
do Trabalho são centrais nas discussões que seguem nas primeiras partes da
obra, respectivamente.
A Divisão Internacional
do Trabalho acompanha as relações comerciais e desiguais entre grupos distintos
de países ao longo do processo histórico. Os países que colonizaram outras
áreas do planeta (metrópoles), acumularam riqueza pela exploração dos recursos
naturais e escravização dos nativos, e o que permitiu que se industrializassem
primeiro, tornanram-se os países centrais (desenvolvidos) da ordem econômica
atual. Os países que foram colônias de exploração, tiveram suas atividades
econômicas sempre voltadas ao mercado externo, o que gerou sua dependência
econômica, e os tornaram periféricos nas relações econômicas mundiais
(subdesenvolvidos).
A Nova Divisão do Trabalho vem das mudanças ocorridas
nos países periféricos, em especial um grupo de países em desenvolvimento, que
se industrializaram, com interesse é claro e tecnologia dos países centrais, e
destacam-se pelo grande mercado consumidor interno e pela numerosa mão de obra
barata, como menciona Juan José Castilho baseado na obra de Salim Lakha: “Essa Nova Divisão Internacional do Trabalho
se caracterizava por uma fragmentação dos processos manufatureiros que se
dispersaram globalmente, perseguindo ou motivados pela necessidade de trabalho
barato, desqualificado ou semiqualificado” (p.26).
A Divisão Social do Trabalho, segundo Ursula Huws,
acontece uma especialização do trabalho de acordo com a classe social, etnias
ou grupos social e por gênero. O que dificulta na ‘determinação da identidade de classe’ (p.58).
Neste sentido, novos rearranjos surgem e
descaracterização das empresas e do trabalho, como terceirizações, e
‘integração vertical’. Nesses novos rearranjos trabalhistas, as inovações
tecnológicas e novas formas produtivas capitalistas (pós-fordistas) coloca ‘fim na centralidade do trabalho’ e
recoloca novos rearranjos espaciais. Contexto este, chamado de ‘Informacionalismo’ por Castells,
caracterizado por empregos qualificados, autonomia e criatividade, e até
sinônimo de ‘não trabalho’. Essa imaterialidade é importante diante da
crise no capitalismo, marcada pela descaracterização do trabalhador, na perda
do ‘valor trabalho’ e ‘capital humano’, ‘trabalho abstrato’(p.7-9).
Uma das formas de trabalho aprofundadas neste
contexto é no setor de telemarketing, call
Center, programadores de software.
Contradições presentes nesses setores, como o nível tecnológico, flexibilidade
toyotizada, técnicas gerenciais tayloristas de controle sobre o trabalhador, considerada
a alienação contemporânea do trabalho (p.10).
O marxismo crítico é presente nesta obra, através
de conceitos-chave de Karl Marx e sua análise sobre as contradições do
capitalismo. A consideração do proletariado apenas aquele que produz
diretamente a mais-valia, não é aplicável aos ‘trabalhadores virtuais’. Os
‘trabalhadores comerciais’ contribuem na produção de mais-valia na medida de
seu trabalho é apropriado por seu empregador. O computador não seria
considerado meio de produção pois seu uso depende de um sistema em rede.
No primeiro capítulo uma relação é feita entre
qualidade, controle e padronização. À medida que certificações de qualidade (ISO,
Spice e CMMI) são criadas e exigidas internacionalmente há uma uniformização
dos procedimentos produtivos, assim como a tendência de homogeneização da
globalização (cultural, econômica e política), e uma nova e forte forma de
controle é estabelecida.
Diante disso, Castilho detalha a fundamentação
utilizada na sua pesquisa sobre ‘fábricas
de software’ e como que estas tornam o trabalho cada vez mais coletivo e
disperso. A Nova Divisão Internacional do Trabalho confirma suas ideias e
complementa fatos trazidos por outros autores como já discutidos na disciplina,
baseado na externalização do trabalho qualificado e desqualificado, do trabalho
imaterial, de tarefas que antes eram apenas realizadas nos países centrais. O
salário é comparado e visivelmente diferente entre um trabalhador nos Estados
Unidos e um outro na Índia. Assim como também há divergências na formação
acadêmica, na atuação do governo, regiões potenciais. Dessa forma a qualidade
exigida camufla procedimentos padrões que os países periféricos tem que
atender, e que por consequência reforçam as desigualdades inerentes. A questão
do controle na criação de software também é comprometido pois só podem serem
verificadas quando tudo estiver instalado e funcionando.
No segundo capítulo há uma busca por termos
adequados sobre os trabalhadores em sistemas virtuais de produção, e que por
consequência reforça a discussão dessa classe, que não tem definição, objetivos
comuns a serem lutados, discutidos e exigidos.
Desta forma, Ursula Huws trabalha com tipos
específicos, como ‘trabalho de escritório’, ‘trabalhadores de informação’, e de
que forma esses são diferentes em termos de gênero e classe social. Ao mesmo
tempo que são operários e consumidores. A questão da mobilidade social também é
presente, e a autora dá exemplos ocorridos pós-Segunda Guerra Mundial no Reino
Unido com a política de bem estar social, e na possibilidade de mulheres casarem
com homens de outro nível social como vias de ascensão social. O escritório e o
papel da mulher no mundo do trabalho também são centrais nesta parte do texto,
para isso compara o ‘secretário do lar’ com a governanta; a secretária do
escritório e a sua desnecessidade no mundo da informação. Assim como questiona
o trabalho doméstico sendo uma nova forma de exploração do trabalhador e de
seus bens como meios de produção. Formas anárquicas é como considera a
sabotagem, contaminação por vírus nessa nova realidade produtiva.
Uma bom exemplo ao longo do texto que se faz
comprovando a Divisão Internacional do Trabalho é colocado: ‘os bons trabalhos que podem ser deslocados
dos países centrais se mantêm e se estabelecem como bons trabalhos na
periferia’ (p.25). Ao passo que atividades antes realizadas por
trabalhadores não qualificados nos países centrais, passa a ser feito por
trabalhadores graduados nos países periféricos.
A efeito de prévias
considerações percebe-se pelos autores a necessidade de se aproximar a
comunidade do conhecimento, a identidade e sentimento de classe, fortalecimento
da carreira profissional, e reflexões sobre as desigualdades nas relações
econômicas mundiais. Considerando o fato de ter uma moradia, ou necessidades
básicas, conforta e neutraliza os trabalhadores, e seus movimentos de greve.
As tendências
educacionais parecem sem perspectivas (p.50). E um questionamento me parece de
forma paralela à essas indagações sobre a virtualização, segregação e
espacialização no mundo do trabalho atual: que escola temos nos países centrais
e periféricos? Que tipo de educação se faz necessária diante a divisão do
trabalho colocada (social, espacial, internacional, tecnológica, econômica,
classes, gênero, grupos sociais)? Quais as reais necessidades educacionais nos
países em desenvolvimento, como no Brasil, para a superação dessa Divisão
Internacional do Trabalho?
Referência:
ANTUNES, R. e BRAGA, R. Infoproletários:
degradação real do trabalho virtual. São Paulo: Boitempo, 2009.
Apontamentos: Dermeval Saviani
Conteúdo: Trabalho, Educação
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Série: Superior
Atividade: Apontamentos de Livro
Trabalho e
educação: fundamentos ontológicos e históricos – Dermeval Saviani
Neste artigo, Saviani
(2007) discursa sobre a relação trabalho e educação. Nessa análise percebe-se
que acontece uma certa separação dessas instâncias no decorrer do processo histórico
mas, do mesmo modo, percebemos uma indissolubilidade desses termos. A
contextualização perpassa por diferentes sociedades (comunal, escravista,
feudal e a burguesa) e até a sociedade contemporânea capitalista que nos
encontramos hoje em dia. No final da obra, a organização do sistema de ensino é
refletida nos diferentes níveis na educação básica (‘educação unitária’) e a
ideia do trabalho como principio educativo na atualidade finaliza as reflexões.
Segue algumas questões levantadas, seguidas de informações
da obra e/ou de indagações pessoais:
§ Qual a
relação entre trabalho, educação e o homem? Segundo Saviani o trabalho e a educação são atributos acidentais e
fundamentais do homem.
§ O que é
o trabalho? O que é o homem? O que diferencia o homem
de outros seres da natureza e da própria natureza? Muitas das ideias
trabalhadas da separação do homem pela suas atividades e domínios sobre a
natureza, onde o homem pode transformá-la segundo suas necessidades, é um
princípio também da geografia crítica. Saviani (p.154) mostra a questão da
consciência humana, sua capacidade de produzir seus meios de vida e de adaptar
a natureza as suas necessidades é o que diferencia como homem, e tudo isso é
através do seu trabalho. Sendo assim, a essência do homem é o trabalho.
§ O que
garante a existência humana? A educação. O homem forma-se homem, pela produção e pelo processo
educativo. O trabalho define a essência
humana (p.155).
§ Para
classes sociais diferentes há formações educacionais diferentes, em termos de
qualidade e finalidade? Saviani
faz uma relação com as mudanças na organização da sociedade, inicia-se a
divisão social do trabalho, surgindo assim classes sociais e diferentes tipos
de educação. Surge assim, no escravismo antigo, a ‘educação dos homens livres’
e a ‘educação dos escravos e serviçais’.
§ O que é
a escola? Qual a finalidade da educação? Na página 155, o autor menciona a etimologia
da palavra, lugar do ócio, tempo livre. Se antes o Estado que desempenhava
papel importante na organização do sistema de ensino, a Igreja Católica também
já deixou marcas, e hoje em dia é o sistema produtivo que dita as necessidades
educacionais. Confirma o peso exclusivo à escola na responsabilidade pela
produção capitalista (p.157).
§ O
trabalho precisa da escola? A escola precisa do trabalho? O peso entre esses termos também é questionado,
pois antigamente para o exercício dos ofícios não precisava da instituição
escola, os saberes eram passados no próprio local de trabalho, as corporações de ofícios, nas relações
entre os mestres e os ajudantes. Hoje, principalmente com o
advento de novas tecnologias há uma necessidade de uma formação escolar básica
comum para o mundo do trabalho. A segunda pergunta levantada faz o caminho
inverso, a medida que a educação só para o mundo acadêmico também não tem
sentido na sociedade atual.
Desta
forma algumas considerações são destacadas, o homem é um ser social e sua
essência, formação e distinção da natureza deve-se pelo trabalho, da capacidade
de produzir suas necessidades, e de dar continuidade a sua cultura, de ter
acesso aos valores que humanizam o homem e o faz ser um cidadão de direitos e
deveres, e conhecedor do mundo em que vive, graça também aos saberes escolares.
SAVIANI, Dermeval. Trabalho e
educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de
Educação, v.12, n.34, jan./abr. 2007.
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